julio-agosto 2017, AÑO XI, Nº 62

logo.png

Editora

Ana Porrúa

Consejo editor

Osvaldo Aguirre  /  Irina Garbatzky
Matías Moscardi  /  Carlos Ríos
Alfonso Mallo

Columnistas

Paulo Ricci
/  Ezequiel Alemian

Nora Avaro
/  Juan José Becerra

Gustavo Bombini
/  Miguel Dalmaroni

Yanko González
/  Alfonso Mallo

Marcelo Díaz
/  Jorge Wolff

Aníbal Cristobo
/  Carlos Ríos

Rafael Arce
/  Ana Porrúa

Antonio Carlos Santos
/  Mario Ortiz

José Miccio
/  Adriana Astutti

Esteban López Brusa
/  Osvaldo Aguirre

Federico Leguizamón
/  David Wapner

Julio Schvartzman

Colaboran en este número

Adriana Bocchino
/  Irina Garbatzky

Matías Moscardi
/  Mario Ortiz

Carlos Ríos
/  Marcelo Díaz

Ulises Cremonte
/  Juan L. Delaygue

Julieta Yelin
/  Alberto Giordano

Luciana Sastre
/  Sebastián Bianchi

Curador de Galerías

Daniel García

Diseño

Jorge Wolff

Jornal do Brasil
Carta ao poeta Christian Bouthemy

Florianópolis, 20 de fevereiro de 2011.

Caro poeta,

Na novela de Alan Pauls, Wasabi,(1) você não é um poeta mas um editor. O que condiz com a época da escrita de Wasabi, início dos anos 90. Condiz parcialmente: relendo Figures tombées traces,(2) suponho que seu primeiro livro, relendo Wasabi e tendo-o conhecido pessoalmente, o que sempre se destaca é o poeta. E isso de uma maneira tal que, a essas alturas, é melhor não tentar traduzir senão através de seus próprios poemas. Mesmo porque não apenas Alan Pauls, mas também César Aira, nas Nouvelles impressions du Petit Maroc,(3) já o transformaram no personagem que você é. Aira definia a sua cortesia como “um tanto irônica” (4) e na novela de Pauls você aparece desde o início até o final –no itinerário do narrador que vai da residência na Maison des Ecrivains Etrangers et des Traducteurs de Saint-Nazaire aos submundos de Paris–, a ponto de protagonizar a conclusão do primeiro dos dois finais disponíveis. Suprema ironia, em Paris você não salva da miséria o narrador transformado em pária e tem a ousadia de chamar de impostor, aparentemente por desconhecer seu rosto envelhecido, o autor do próprio livro que você tem na mão. Aliás, aquele mesmo que você tentou salvar logo no início, enviando o narrador ao consultório de sua homeopata preferida, como fazia com todos os hóspedes da MEET –cria sua, por sinal (a MEET). Menos mal que a história da excrescência na nuca do narrador –tratada com uma mostarda japonesa chamada wasabi receitada por sua amiga– tenha tido direito, no segundo final, a um final feliz.

Em 1988 o conheci na França. Em 1989 ou 90 o revi no sul do Brasil, de passagem por Florianópolis. Depois nada mais soube de você. Em fins de 2010, vinte e dois anos passados, tive a primeira oportunidade de voltar à Europa e tratei de buscá-lo, com algum sucesso apenas no que respeita a seus livros, graças aos buquinistas virtuais. Depois de algumas especulações pessimistas sobre seu destino em conversas com outro admirador seu, o poeta Arnaldo Calveyra, há poucas semanas, e já de volta ao Brasil, consegui a prova de que você segue publicando através da chegada, por meios postais, de seu último livro. E, há alguns dias, por meios eletrônicos, também ficou comprovado que você segue vivo e ativo (você sabe quem foi o amigo e conterrâneo que o “delatou”).

Dos seus livros, você havia me presenteado o primeiro, Figures tombées traces (1983). Quando comecei as atuais buscas foi que soube com satisfação da existência de Miette (1992), Filage (1994), Cosa mentale (1996), A quai, des printemps (2008, o único que não consegui) e Contours du souterrain (2008), todos breves coleções de poemas, com exceção do último. Este chamou a atenção não apenas por ser o mais alentado e por não ter paginação, mas também por apresentar poemas longos numa série de registros de viagem a leste e a oeste da França, da Albânia ao Brasil, compondo como que o seu itinerário subterrâneo durante a primeira década do milênio: 2001, bolsa de apoio à criação literária do Centro Nacional do Livro (como se lê no início, ao lado de um agradecimento a três nomes por seus “précieux conseils”: Agnès Gillot, Alain Mollard e Nicasio Perera San Martín); abril de 2004 (em Nazaré, Cabo de Santo Agostinho), data e local da primeira parte, “Pavés nordestins” –caderno de viagem pelo litoral do estado de Pernambuco, no Brasil–; idem para “Itamaracá, Dhermi”, título da terceira parte, com data de março de 2005 e março de 2007; e finalmente, para perturbar o tempo cronológico, a quinta e última parte com data de 1994 e localização em Santa Cruz, na Bolívia, o poema “Descente de la rue Offenbach”, significativamente dedicado a Juan José Saer.

Não à toa você foi o idealizador da Maison des Ecrivains Etrangers et des Traducteurs de Saint-Nazaire, à qual você associou o seu selo editorial, Arcane 17, a partir de 1987, quando a MEET foi inaugurada (se não me engano). A Arcane 17 parece ter fechado as portas ainda nos anos 90, quando você se torna, ao que tudo leva a crer, um viajante inveterado (em seus poemas há menções aos lugares mais inesperados e ao mesmo tempo mais esperados, em se tratando de você), do qual os próprios submundos virtuais não podem dar mais do que escassa notícia. Já a MEET continuou em funcionamento ininterrupto desde então, seguindo o mesmo caminho das literaturas traduzidas e dos escritores viajantes. Seu apartamento, graças a sua iniciativa, é o cenário de vários relatos deixados pelos residentes de vários países, inclusive de culturas consideradas “exóticas”. Já foi esquadrinhado das mais variadas formas literárias e nas mais variadas línguas –algo que posso comprovar como leitor e como visitante de passagem da casa em julho de 1988, durante a residência do escritor brasileiro Harry Laus. Que, aliás, lhe dedica La première balle,(5) assim como o fez Ricardo Piglia em Une rencontre à Saint-Nazaire.(6) Ocorre que a noção central em que se baseou a MEET na época de seu surgimento, a de “uma literatura sem qualidades”, ou seja, de um anti-exotismo radical, é oriunda das posições estéticas de Juan José Saer, então professor de literatura hispano-americana na Universidade de Rennes, a capital da Bretanha francesa, não longe de Saint-Nazaire. Posso tomar a dedicatória do último poema de Contours du souterrain como uma confirmação dessa afirmação? Tampouco parece ser mera coincidência que um dos primeiros convidados tenha sido Piglia, e que o tenham seguido os escritores Hugo Gola, Alan Pauls, Juan Carlos Mondragón e César Aira, entre outros rioplatenses ou platinos.

Não sei até que ponto pode lhe parecer incômodo rememorar esse período, mas para mim é inevitável colocar-me essas perguntas, escavando a memória, na medida em que fui hóspede da casa –como convidado de um convidado– quando o projeto estava nascendo. Mas passemos aos Contornos do subterrâneo, cujo sonoro título aponta para a trapaça com a própria biografia, com a própria experiência vital, vale dizer, em seu caso, com a própria experiência literária. Não é à toa que você cita, no meio da suíte “Itamaracá, Dhermi”, a frase de Alan Pauls (sem referência, traduzida aqui do francês): “Ler e caminhar são as duas faces de um mesmo vício: desenhar um percurso subjetivo, arbitrário e parcial, sobre uma superfície semeada de signos-página ou mapa que outros deixaram há muitos anos ou séculos”. Desçamos então a rua Offenbach, para começar pelo final de seu livro, que remete ao lugar da infância.

Desde o título, sabemos que se trata da memória, da fala e da música das ruas, seja na França, seja no Brasil –neste caso, nos “pavés nordestins” da primeira suíte, em que, pela boca de Spinoza, você diz: “eu me agarro de preferência ... à Parole”. Num dos grandes livros que você editou em Saint-Nazaire, L’art de raconter (El arte de narrar), Juan José Saer igualmente enunciava: “Nado / en un río incierto que dicen que me lleva del recuerdo a la voz”.(7) E logo no começo da descida da rua Offenbach, o poema, em sua dicção quebradiça, propõe uma noção que me parece muito importante para o seu modo de escrever, a noção de “demi-mots” (meias palavras), em que a sintaxe se quebra ainda mais, como que bêbada ou abolida. O primeiro movimento da “Descente” se chama “Mobile” e o segundo, “Dix mètres avant vingt mètres plus bas” (“Dez metros antes de vinte metros abaixo”), mantém o movimento de sua poesia da (i)mobilidade, em que se lê: “J’écris gaucher, à l’endroit des pages comme je m’inventai à gauche | le pavé trottoir à ne pas franchir, ce hors limite, dans cette intention | la verticalité du droit chemin de à chez moi” (“Escrevo esquerdo, no espaço das páginas como eu me inventava à esquerda | a pavimentada rua a não atravessar, este sem limite, nesta intenção | a verticalidade do caminho reto de à casa”). Seguem as-os “Demi-mots” (“Meias palavras”): “Encore bu un verre avant la ligne, ne sers rien juste | pouvoir sans buts, à cause être l’autre côté du trottoir non existant. | Pas le miroir, le concassé à venir.” (“Ainda bebi uma taça antes da linha, não serve a nada justo | poder sem metas, por causa ser o outro lado da rua não existente. | Não o espelho, o triturado a vir.”). E então as-os “Mots” (“Palavras”): “Ces vingt mètres ont chassé les dix mètres” (“Estes vinte metros cassaram os dez metros”).

Posso estar errado, mas para mim essas palavras, que pus aqui como exemplos do que me toca, são quebradiças como a sua escrita, são palavras quebradas ao meio, ora em forma do que chamamos poesia, ora em forma do que chamamos prosa, cujas descrições são as únicas verdadeiras, ou seja, aquelas que –como disse o poeta italiano Giuseppe Conte– não se contentam com mostrar: “Uma verdadeira descrição deve revelar a parte invisível de todo objeto”.(8) Isso ajuda a pensar a descida como o lugar da infância, ou seja, o lugar da “língua perdida” –e já faz tempo, como na citação de Aira, que você “perde seu vocabulário” em busca de sua “língua estrangeira”. Mas logo depois, no começo da segunda e última parte, você observa cristalinamente que “Rue est différente de route. Rue est là où on s’arrête. Route vers là où on croit fuir” (“Rua é diferente de rota [estrada]. Rua é lá onde a gente se arrasta. Rota com destino fugitivo”). Você cai na estrada e isso a ponto de datar a sua descida à infância em 1994 na cidade boliviana de Santa Cruz, sendo que não há nenhuma referência à paisagem andina ou qualquer outra além da “rua Offenbach”. Finalmente, nos dois últimos versos do poema (e do livro), você se divide não apenas no espaço, mas no tempo: “Nous ne sommes, moi et moi, du même temps./ Après tout ça, attendre; s’il suffisait du jour pour l’ombre” (“Nós não somos, eu e eu, do mesmo tempo./ Depois de tudo, esperar; se fosse suficiente o dia para a sombra”).

Você então encara a sua rota, a sua estrada como a saída para o que não tem saída, e isso me faz lembrar de um belo poema de seu primeiro livro, que diz: “Chaque jour/ la nuit revêt/ son masque de vierge// La lumière frappe/ l’angle du lieu/ commun// Il est rarement minuit” (“A cada dia/ a noite veste/ sua máscara de virgem// A luz bate/ no ângulo do lugar/ comum// Raramente é meia-noite”). E raramente é meio-dia porque, para você, “as horas são desagregadas”: voltamos aqui para o início dos Contornos do subterrâneo, aos “Pavés nordestins” (que se poderia traduzir como “pavimentos” ou “pedras” ou “ruas” nordestinas, isto é, de um certo Brasil). Assim, no início da primeira parte do livro, você –alguém– diz, em tradução bárbara (como todas nesta carta): “Eu gostaria que o leitor abordasse este livro, ou o sabotasse, vitória da liberdade, sabendo que as horas são desagregadas mas o ponto fixo” (“J’aimerais que le lecteur aborde ce livre, ou le saborde, victoire de la liberté, sachant que les heures sont désagregées mais le point fixe”). De modo que, após apontar o dedo ao leitor –que só poderá encontrar os livros desse “poeta raro” (François Boddaert) em raras livrarias reais ou virtuais, a edição se limitando a trezentos exemplares–, surge a mencionada citação de Spinoza sobre a adesão desesperada do filósofo à “Parole”. E a fala-palavra leva ao mar, a pátria de adoção do poeta, sendo o primeiro poema um pedido de bênção a “Talassa”.

O mar em questão é o pernambucano –que eu até hoje não conheço– e desde o início aparece o tema da imobilidade, da visão de uma paisagem fora do tempo, do ponto de vista do olhar do nativo: “Il est assis là depuis deux jours déjà/ on dirait à califourchon sur le trou/ qu’il doit combler. Le trottoir lui laisse/ une place où poser son tas de cailloux/ dont il travaille patiemment les formes/ pour créer sa géométrie secrète” (“Ele está sentado ali já faz dois dias/ como que a cavalo sobre o buraco/ que ele deve preencher. A calçada lhe deixa/ um lugar onde botar seu monte de pedrinhas/ cujas formas ele trabalha pacientemente/ para criar sua geometria secreta”). Sobre esse mar e sobre esse olhar “chove tanto que eu compreendo a deriva dos continentes” (“Il pleut tant que je comprends la dérive des continents”), conforme você escreve no texto em que remete a 1912 e aproxima o Cabo de Santo Agostinho ao golfo da Guiné. Mas você e você estão diante do mar pernambucano, início do século XXI, e no poema seguinte, pelas televisões das ruas praieiras e repletas de gente do Recife, passam as torres gêmeas e o massacre de Karbala no Iraque: vida e morte, mobilidade e imobilidade. No poema em que o músico pernambucano Naná Vasconcelos é o seu observador fora do tempo –o décimo-primeiro de “Itamaraca, Dhermi”–, pode-se ler: “Nana Vasconcelos vient s’asseoir, et lui le percussioniste reste | immobile toute la matinée, sans même bouger les doigts, les yeux | rivés sur l’inexorable percussion des vagues vers leur fin” (Naná Vasconcelos vem se sentar, e ele o percussionista fica | imóvel toda a manhã, sem sequer mexer os dedos, os olhos | fixos sobre a inexorável percussão das vagas em seu fim”). Ao lado da recorrência desses temas, surge uma expressão que remeto à idéia de “demi-mots” e que, a meu ver, amplifica a leitura de sua poesia: trata-se da idéia de “visions émiettées”, título de um poema dedicado ao balneário de Dhermi, na Albânia. Parece-me que, não por acaso, o seu segundo livro (?) se chamou Miette (“Migalha”).

Porém, como esta carta já vai indo muito longe –mas haverá outras, sob outras formas, aliás, já as há...–, vou concluindo esta breve e muito parcial abordagem dos Contornos do subterrâneo (sequer mencionei a segunda suíte, “Szombathely-New York, Express”) com o seu elemento principal, ou seja, os próprios subterrâneos esmigalhados do mundo, através desse seu périplo de “homem de limiares”, como você (e você) se define no final de “Itamaraca, Dhermi”: “Je suis un homme de lisières, les mots me sauvent en m’épuisant” (“Eu sou um homem de limiares, as palavras me salvam ao me esgotarem”). É a quarta parte da suíte “Itamaraca, Dhermi”. Na quinta, intitulada precisamente “Parois du souterrain” (“Paredes do subterrâneo”), as viagens à Albânia e Pernambuco encontram-se na página do poema, cumprindo um destino comum, e incluindo uma graciosa licença poética em nome do som e do ritmo, em que o termo brasileiro “catadores” se castelhaniza para “cartoneros”: “Ici en Albanie la même économie de dissections des déchets qu’à Recife./ Là des cartoneros ici des canetteros! passage du papier à l’aluminium.” (“Aqui na Albânia a mesma economia de dissecações dos dejetos de Recife./ Lá os cartoneros aqui os canetteros! passagem do papel ao alumínio”).

Na segunda e última parte da suíte, que leva a epígrafe de Alan Pauls sobre a relação entre ler e caminhar, chamada “Le souterrain mènerait à l’arbre à télévision” (“O subterrâneo levaria à árvore com televisão”), o tempo, o texto, o mar, a chuva, as árvores permanecem em questão (os poemas retomam sutilmente uns aos outros) e chega-se ao poema dedicado à imobilidade do percussionista, de que eu transcrevi a primeira estrofe acima. Da página imediatamente seguinte, gostaria de destacar enfim a significativa profissão-de-fé às avessas que você apresenta: “... Je n’oserai parler | du Brésil, ou pour le moins du Nordeste, pas plus de Recife, et moins | encore de Boa Viagem, mais de ce quadrilatère dont je sais tous les | arbres et les caprices de leurs feuilles, tous les magasins et les heures | de relève des employés, l’heure des pluies, le retour des vents... (“Eu não ousaria falar | do Brasil, ou pelo menos do Nordeste, tampouco de Recife, e ainda | menos de Boa viagem, mas deste quadrilátero do qual eu sei todas as | árvores e os caprichos de suas folhas, todas as lojas e as horas | de troca dos empregados, a hora das chuvas, o retorno dos ventos...”).

Despeço-me então –entre grato e atônito diante da sua poesia, que não consigo associar a nenhuma outra– com “a parte invisível de todo objeto” (Conte); com, “pelo movimento, a ilusão do avanço” (como no quarto poema dessa segunda parte de “Itamaraca, Dhermi”); com a maneira como “sonham” as suas lembranças (sexto poema); com a recusa da história e a definição da vida –na suíte “Prova d’amore”, que antecede a definitiva “Descida da rua Offenbach”– como “aquilo que nos escapa”.

Amigavelmente (como dizem os franceses),

 

Jorge “Joca” Wolff

 

 

(1) Saint-Nazaire: MEET-Arcane 17, 1995.

(2) Arcane 17, 1983.

(3) MEET-Arcane 17, 1991.

(4) Aira também cita um poema seu, sem referência: “Je perds mon vocabulaire à chercher ma langue étrangère” (“Perco meu vocabulário em busca de minha língua estrangeira”). Há aí como que o anúncio de uma vontade de se perder pelo mundo que se confirma integralmente no seu último livro, Contours du souterrain.

(5) MEET-Arcane 17, 1989.

(6) MEET-Arcane 17, 1989.

(7) L’art de raconter. Tome 1. Poèmes 1960?1975. Traduit par Laure Bataillon. Saint-Nazaire: Arcane 17, 1990.

(8) Leio o comentário no começo da entrevista de Giuseppe Conte –um dos primeiros escritores residentes da MEET– a Bernard Bretonnière, que conclui seu Manuscrit de Saint-Nazaire (MEET-Arcane 17, 1989).

 

(Actualización marzo-abril 2011/ BazarAmericano)

 




9 de julio 5769 - Mar del Plata - Buenos Aires
ISSN 2314-1646